Por Martorelli Dantas
Tem coisas que a minha razão não consegue reduzir à logicidade, provavelmente por dificuldades e limitações minhas.
Por exemplo, eu vejo vários juristas (aos quais respeito e com os quais concordo), afirmarem que a "condução coercitiva" de Lula foi um ato abusivo perpetrado pelo juiz Sérgio Moro. Como advogado eu repudio com veemência posturas assim.
E nesta condição, serei um defensor ardoroso de que seja reconhecida a sua inocência para efeitos jurídicos até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (e não apenas até a segunda instância). Este é um direito constitucional que ele tem e que para o bem de todos devemos salvaguardar.
Contudo, partindo desta premissa, ser capaz de crer na sua efetiva inocência e expor-me cognominando de "golpe" o procedimento investigativo que tem revelado de modo inconteste (em ações penais como a do Mensalão) que o PT estruturou um esquema de desvio de dinheiro público para financiar suas campanhas e enriquecer seus próceres é um desserviço ao país.
Entendo que há esperanças nas quais nos agarramos bem para além de qualquer racionalidade, como no caso de alguém que ama uma pessoa e espera ser correspondida. Mas com pesar digo aos meus amigos: "Vou te deixar a medida do Bonfim, não me valeu. Fico com o disco do Pixinguinha, sim? O resto é seu...".
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