sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Quaresma, Irmã Solene

Por Martorelli Dantas

Nossas vidas são contadas pelo tempo, os anos e dias que vivemos. Se muitos, se poucos não sabemos, mas os contamos. Cada ano traz suas estações, cada dia tem diferentes estações também. Chamamos de aurora ou primavera, de meio-dia ou verão, de crepúsculo ou outono, de noite ou inverno... Tudo muda constantemente e muda diferente, de tal forma que nem as noites nem os outonos são iguais.

Saber viver as estações da vida é sabedoria. Deixamos a efervescência primaveril do Carnaval, para vislumbrar as cores sóbrias da Quaresma. Seja bem-vinda Irmã Solene! Que sua música de realidade se sobreponha ao balbúrdio do pobre Momo, que se veste de fantasia para postergar, ainda que por quatro dias, teus panos-de-saco.

Mas há aqueles para quem nunca é Quaresma (saudade de você Marcos Quaresma, lembrei de tua amizade ao escrever teu nome). Há aqueles que desatinaram, como na canção de Chico, em pleno Carnaval. Diferentemente do poema de Buarque, estes não são felizes, mas iludidos. Existe grande diferença.

Feliz é aquele que, vendo quem é e o que existe, não se deixa abalar por isso, mas aos pés do Altíssimo tudo consagra. Vamos aceitar o convite da Quaresma para nos sentar sobre cinzas. Não porque seja melhor que o Carnaval, mas porque é saúde para a alma, carecemos respeitar as estações de cada coisa. E agora é tempo de confissão e contrição, do cântico da "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa".

Depois, passado este tempo, enxugaremos os olhos e veremos com humildade e alegria o mais belo estandarte que a humanidade já conheceu, a cruz que encima e ilumina o monte horrível, dela uma voz que diz apenas: Estás perdoado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário