sábado, 27 de fevereiro de 2016

Viver é mais importante que nascer - Parte I





Nunca acreditei que a vida de uma pessoa pode se tornar particularmente especial em decorrência do dia em que ela nasceu. Mas, certamente, a vida de uma pessoa pode tornar o dia em que ela nasceu especial. É o caso daquelas datas em que comemoramos o aniversário de alguém que nem mais está entre nós. Ouvimos notícias assim o tempo todo, quando anunciam que naquele dia se comemora o fato de que se alguém estivesse viva estaria comemorando cem ou duzentos anos etc.

Nascer é essencial, mas viver é que é de fato especial. Mas poucas são as pessoas que realmente estão vivendo, a maioria das que eu conheço apenas sobrevive, ou seja, gastam seus dias e sua energia apenas para preservar uma vida, que em si mesma é completamente desprovida de sentido. Resume-se ao passar de dias monotonamente iguais, dias nos quais somos carregados de uma lado para o outro pelas circunstâncias, as exigências da sobrevivência e suas momentâneas paixões. A questão é: como parar de sobreviver e começar a viver?

Responder a esta, que é uma das mais importantes que a sabedoria precisa responder, nao deve ser vista de modo simplista, tipo "cinco passos para...". Este tipo de abordagem pode até ser útil, mas, frequentemente, são apenas um entretenimento momentâneo. Além disso, nos afastam das questões mais profundas, que sempre são as mesmas: Quem somos nós? Qual o propósito da nossa existência? Qual a saudável relação que devemos manter com as coisas e pessoas que passam em nossas vidas? Contudo, responder a isso nunca vai acontecer em um seminário motivacional de final de semana ou lendo um artigo como este.

Bem, se você continuou lendo é sinal que ainda tem expectativas. Sinto-me no dever de lhe dizer algo que possa lhe ajudar (me ajudar, se eu souber mais do que dizer seguir a sabedoria que a graça insiste em me dizer). Vejamos quais são os principais desafios que estão postos diante de mim hoje:

1.     Estabelecer relacionamentos positivos, transparentes e de mútuo benefício com as pessoas. A qualidade de nossas vidas estão inevitavelmente ligadas à qualidade de nossas ralações interpessoais. Estas devem ser relações de luz, ou seja, relações que podem ser vistas em todas as suas dimensões, nada deve haver nelas encoberto. E isto não por motivos de moralidade, mas porque é extremamente trabalhoso manter vidas e relações subterrâneas. Se o que queremos é uma vida melhor, o que devemos buscar é leveza em tudo isso.
2.     Cuidar para que a nossa alimentação seja só alimentação, não uma forma de expressar frustrações. Assim como nascer, comer é essencial para sustentar a vida, mas esta, como todas as outras, deve ser uma ação inteligente. Devemos comer e beber somente aquilo que tenha o potencial de nos trazer benefício. E este bem não pode se limitar e hipervalorizar o prazer bucal. O objetivo lógico da alimentação é dar energia para que possamos realizar nossas tarefas. Contudo, muitos de nós utilizamos esta graça para agir compulsivamente. É como se estivéssemos tentando resolver um problema cardíaco ingerindo antitérmico.
3.     Distinguir entre a nossa mente e os nossos pensamentos. Muitos são os que confundem mente e pensamentos, o que é como confundir paredes com a casa. Como sabemos uma casa tem paredes, mas nao se confunde com elas. É exatamente por isso que é possível consertar paredes dentro de casa e construir paredes novas nela. Assim também em nossas mentes há pensamentos que ingressam nela e que nao trazem benefício, outros pensamentos podem ser transformados, bem como é bom fazer crescer em nós os pensamentos que têm o poder de nos fazer alegrar.


Continuo este texto na segunda-feira. Fiquem atentos...



Por Martorelli Dantas  
   


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